Gramática (Portuguese) by Beni Issler

Gramática

 

Quando sento no assento sinto que sua acentuação sempre esteve sumida. Certamente solicito que sua acentuação seja subordinada a seu significado. Sempre subestimo e subjugo a solene satisfação que sinto ao sentar em um sensível assento com acento. Sem saber se ‘assento’ tem acento, separo suas sílabas e percebo que não; assento não tem acento.

 

Porém poucas poltronas podem promover o possível uso de pontuação ao ponto de providenciar o preciso potencial de poder pontuar perplexas frases com propósito, pois o problema é a presença de preconceito que permite proceder com palavras e palavras sem pontuação e, portanto, parece não perceber o propósito da paixão pelos pontos. Porém. A pontuação pode providenciar. Uma pausa muito precisa. Para uma série de palavras.

 

Ao despencar no colchão, contemplo criticamente no quão cafona é a cabeceira da cama, que sequer combina com a cor da cortina nem do encosto da cadeira que descansa no canto do quarto. Apesar do cansaço, tento recordar todo o vocabulário que cabe em minha cabeça e começo a escrever. Com cada palavra que escrevo, acabo encontrando uma escolha de vocábulo mais adequado. Cada conjunto de palavras que constrói o conteúdo escrito consiste de escolhas próprias que são características do vocabulário que conheço.

Alinho as linhas a fim de formar uma forma, uma letra. Assim fico a fim de alinhar as letras em palavras, e as repito em linha, aliterando.  A aliteração não é repetição, mas ainda repete e as letras nas palavras sem alteração, mas com abstração audaciosa e confusa. Como no mar, se segue uma onda. Uma onda que anda para aonde for fluindo, formando, um fenômeno que mesmo sem sentido, soa bem. 

Grato pelagramática, não me agrado com a grave…         a grave…

Chega. 

Não gosto de aliteração e nem de gramática.

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